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Tipos populares de ciberataques a usuários particulares e maneiras de proteger-se contra eles - part

  • 20 de set. de 2023, 22:49
  • 10 minutos

Tipos populares de ciberataques a usuários particulares e maneiras de proteger-se contra eles - parte 1

Hackers utilizam diversos tipos de ciberataques para roubar dinheiro de cartões de crédito ou obter informações confidenciais. Eles podem, por exemplo, espalhar malwares, descobrir informações pessoais por meio de phishing, ou ainda se infiltrar entre a conexão do servidor e o usuário.

Neste artigo, vamos falar sobre os tipos de ataques utilizados por hackers para roubar dinheiro e informações, além de discutir maneiras de proteger-se contra hackers.

Phishing

Phishing é um tipo de ataque na internet em que hackers tentam obter informações pessoais de suas vítimas.

A forma mais comum de phishing é o envio de e-mails fraudulentos que pedem para divulgar alguma informação, baixar um arquivo ou clicar em algum link. O criminoso falsifica o e-mail ou outra notificação de forma que o destinatário pense que é proveniente de um banco ou organização. Em seguida, o hacker solicita o fornecimento de informações pessoais em nome dessa organização. 

De acordo com o Relatório de Ameaças à Segurança na Internet (ISTR) da Symantec de 2018, aproximadamente 0,5% de todo o tráfego de URL é phishing, e 5,8% desse tráfego é malicioso. 

E-mail de phishing enviado por alguém que se passava pela equipe do Facebook. Fonte: abnormalsecurity



Ataques de phishing têm algumas variantes:

  • Spear-phishing – ataques direcionados a pessoas específicas, por exemplo, administradores de sistemas.

  • Whaling –ataques direcionados a executivos de alto escalão.

Em 2015, a empresa Ubiquiti Networks perdeu 40 milhões de dólares devido a um ataque de hackers. Os golpistas sequer tiveram que hackear algo: eles simplesmente enviaram um e-mail para a empresa em nome de um alto executivo, solicitando que o setor financeiro transferisse 40 milhões de dólares a determinada conta bancária. Os funcionários não verificaram a autenticidade do e-mail e resultaram enviando o dinheiro.
  • Search engine phishing – ataques nos quais um site é criado e otimizado para aparecer no topo dos resultados de busca por meio de SEO. Como resultado, as pessoas confiam no site (por estar entre os primeiros resultados da pesquisa) e acabam caindo em golpes e perdendo dados ou dinheiro.

  • Vishing – ataques por meio de correios de voz.

A Spectrum Health System, uma organização médica, relatou um caso de ataque de phishing em setembro de 2020. Na ocasião, os criminosos ligavam para os pacientes e se passavam por funcionários da clínica. Dessa forma os golpistas tentavam obter informações pessoais e roubar dinheiro dos pacientes e funcionários da clínica.

Outra variante: a falsificação de URLs

Os hackers frequentemente criam um site de phishing que é completamente idêntico ao legítimo. No entanto, eles alteram alguma letra no link e em seguida divulgam a URL, que foi encurtada usando serviços populares. Esses links ajudam a contornar os filtros de spam dos serviços de e-mail e redes sociais. Além disso, é difícil identificar o erro no endereço ao clicar neles.

Como se proteger contra o phishing

Não confie em estranhos. Se uma pessoa desconhecida tentar entrar em contato com você, verifique quem ela é e por que está te escrevendo. Se essa pessoa começar a pressioná-lo ou ameaçá-lo, bloqueie-a imediatamente. 

Não confie em pessoas que entram em contato se passando por funcionários de alguma empresa, especialmente se disserem que você tem algum problema que precisa ser resolvido. Nesse caso, é melhor entrar em contato diretamente com a empresa, banco, etc., e verificar o que está acontecendo.

Aqui estão alguns sinais de golpistas:

  • Chamam a sua atenção para algo específico, por exemplo falando sobre uma transferência grande da sua conta bancária, ou dizendo que você pode enfrentar um processo criminal se não pagar uma multa imediatamente. 

  • Enfatizam a urgência, usando palavras como "rápido" e "urgente" ou exercendo pressão emocional em uma ligação telefônica ou mensagens de voz.

  • Enviam links com erros de digitação ou outras inconsistências, como usar a letra "I" maiúscula no lugar da letra "l" (L) minúscula. Esses erros podem passar despercebidos se você estiver usando uma fonte como Calibri, Arial ou similares em aplicativos de mensagens ou e-mail. Ou em lugar de "/" usam pontos ".", o que basicamente cria um subdomínio. Por exemplo, em vez de www.exemplo.com/login/transfer, eles nomeiam o site como www.exemplo.com.login.transfer.

  • Enviam links para um recurso com design duvidoso. Por exemplo, se você receber um e-mail com um link para um site conhecido, mas com um design duvidoso - verifique no navegador se o endereço está correto, letra por letra.

  • Enviam links para um recurso que não utiliza o protocolo https. HTTPS é o protocolo padrão HTTP com um certificado SSL adicional. Isso significa que um hacker não pode interceptar sua conexão com o site e roubar informações. Já no caso do HTTP, é possível interceptar a conexão.

Proteja seu computador e suas contas. Explicamos como fazer isso no artigo "regras básicas de segurança na Internet". Aqui está um resumo:

  • separe a internet entre pessoal e profissional;

  • use senhas complexas;

  • configure a identificação de dois fatores;

  • não compartilhe informações pessoais em chats.

Não divulgue informações pessoais na internet. Não publique fotos de passaportes, não preencha todos os seus dados em redes sociais e, para uma maior proteção, use números virtuais para se registrar em diferentes sites. Afinal, se você não usar seu número pessoal para se registrar em serviços, será mais difícil encontrar seu número de telefone real. Portanto, a chance de hackers ligarem para você será significativamente menor.

Ataque man-in-the-middle

Ataque “man-in-the-middle (MITM)” (tradução: homem no meio) é um tipo de ciberataque em que um fraudador se insere na conexão entre o servidor e o usuário. Essencialmente, ele se torna um terceiro observador na comunicação entre uma pessoa e o site que ela está acessando. Durante esse processo, ele pode silenciosamente roubar dados confidenciais que são transmitidos para a pessoa a partir do recurso.

Esse tipo de ataque é frequentemente direcionado a sites que operam no protocolo HTTP, pois eles não possuem proteção contra invasões. Portanto, se você estiver inserindo dados de cartão de crédito ou a senha do seu internet banking, o hacker poderá visualizar e roubar essas informações quando invadir a conexão de internet.

Como se parece um ataque MITM


Em 2019, uma startup israelense teve 1 milhão de dólares roubados por meio de um ataque MITM.

Para isso, os hackers interceptaram e-mails entre a startup e um fundo de investimento de risco chinês, editaram o conteúdo e reenviaram para o destinatário a partir de um domínio falso semelhante. Como resultado, nem a startup nem o fundo de investimento perceberam que estavam realmente se comunicando com um fraudador.O resultado foi que o fundo de investimento transferiu 1 milhão de dólares para a conta dos criminosos, acreditando estar enviando os fundos para a startup.

Como proteger-se de um ataque homem no meio

Não conectar-se a redes Wi-Fi públicas. Essas redes não são protegidas por senha e são frequentemente invadidas por hackers. Portanto, eles podem interceptar informações importantes que você recebe de diferentes recursos.

Use senhas diferentes. Suponha que um hacker execute um ataque MITM e descubra sua senha de determinada conta. Se você usar senhas diferentes para contas diferentes, o hacker só terá acesso àquela única conta. Porém, se a senha for a mesma para todas as plataformas, ele terá acesso a todas elas de uma só vez. 

Conecte-se apenas a sites com criptografia HTTPS/SSL. Esses recursos criptografam o canal entre o usuário e o servidor. Os hackers não poderão invadir o canal e interceptar informações, como ocorre com um recurso HTTP.

Para acessar sites e não cair em um ataque MITM, utilize antivírus: eles bloquearão o acesso a sites que operam no protocolo HTTP. Outra opção é usar um navegador que não permite o acesso a recursos HTTP sem o consentimento do usuário, como o Google Chrome ou Mozilla Firefox.

Use uma VPN. A VPN protege o tráfego por meio de algoritmos de criptografia. Se um fraudador tentar realizar um ataque MITM, ele não conseguirá fazê-lo, pois o tráfego estará criptografado. Além disso, para aumentar ainda mais a segurança, é possível usar um proxy junto com a VPN.

O que é VPN e como ela funciona

Nesse caso, a VPN criptografa o tráfego e o proxy adiciona uma camada adicional de anonimato.

O que são proxies e como eles funcionam

Cryptojacking

Cryptojacking é um tipo de ataque cibernético em que os criminosos obtêm acesso à capacidade do computador de outra pessoa e o utilizam para minerar criptomoedas.

Normalmente, o acesso ao computador é obtido graças a uma infecção por código JavaScript malicioso em um site. Os hackers podem também utilizar métodos de engenharia social para fazer com que sua vítima clique em um link malicioso.

Quando o minerador oculto é executado no computador, os usuários sequer percebem. No entanto, há dois sinais que podem indicar a presença de um minerador de criptomoedas: desaceleração do desempenho do computador e superaquecimento do dispositivo devido à carga intensa no processador ou placa de vídeo.

Nos primeiros 6 meses de 2022, os volumes globais de cryptojacking aumentaram em 66,7 milhões de dólares ou 30% em comparação com o primeiro e segundo trimestres de 2021, de acordo com a empresa americana SonicWall, especializada em segurança cibernética.

Como proteger-se contra o Cryptojacking

Os princípios de proteção em tese não diferem dos princípios de proteção contra malware e injeções de SQL: 

  • use um antivírus;

  • não clique em links suspeitos;

  • não visite sites sem criptografia HTTPS/SSL.

Também é importante aprender a monitorar os recursos do seu computador. Se você perceber que, ao visitar determinados sites ou após clicar em anúncios, o computador começa a funcionar mais lentamente, é provável que você tenha ativado um minerador de criptomoedas.

Para verificar isso, é preciso acessar o “Gerenciador de Tarefas” e conferir a carga no processador e na placa de vídeo.

No Windows, você pode acessar o Gerenciador de Tarefas pressionando as teclas "Ctrl + Shift + Esc". Outra opção é clicar com o botão direito do mouse no botão "Iniciar" e selecionar "Gerenciador de Tarefas" na lista.


Dessa forma o Gerenciador de Tarefas exibe o uso do seu computador. Observe os números entre parênteses ao lado do Google Chrome - esse é o número de abas abertas. Se você expandir essa descrição, poderá ver qual das abas está consumindo mais recursos do seu computador.


Além da CPU, é importante verificar também o uso da GPU (unidade de processamento gráfico). Basicamente, se a placa de vídeo não estiver em uso e o site não estiver realizando nenhuma atividade, a GPU não deve estar sobrecarregada. No entanto, se uma aba estiver usando muito os recursos da GPU, é importante considerar desativá-la: pode ser que estejam minerando criptomoedas ali. 

Para habilitar a exibição da carga da GPU, vá ao Gerenciador de Tarefas na guia "Processos", clique com o botão direito do mouse no cabeçalho de qualquer coluna e, em seguida, ative a opção "GPU".


Já o uso da memória RAM pode ser alto até mesmo em um site simples. Isso é normal. 

No macOS, existe um equivalente ao Gerenciador de Tarefas chamado "Monitor de Atividade" (Activity Monitor). Você pode encontrá-lo no Finder, em "Aplicativos" e depois em "Utilitários". Outra opção é abrir o monitor de atividade através da pesquisa Spotlight. Para fazer isso, clique no ícone de busca na barra de menu à direita e digite "Monitor de Atividade".

Se alguém estiver realmente minerando criptomoedas, o processador ou a placa de vídeo podem estar sobrecarregados em 10%, 20% ou até 100%. Tudo depende de se o hacker limitou o poder do minerador oculto.

Além disso, é importante sempre atualizar o software para que os mineradores não sejam instalados por meio de vulnerabilidades em versões antigas dos programas.

Também é recomendado instalar um bloqueador de anúncios como o AdBlock ou o MinerBlock, já que os mineradores ocultos geralmente são espalhados por meio de anúncios.

Por exemplo, em 2018, os mineradores ocultos eram espalhados por meio de anúncios no YouTube. Os criminosos espalhavam JavaScript malicioso por meio da rede de publicidade DoubleClick, pertencente à empresa Google. Quando o usuário clicava no anúncio de um vídeo, o script era ativado e começava a minerar criptomoedas.

No próximo artigo, falaremos sobre malware e como os hackers roubam milhões de dólares de usuários comuns.